Fazendo Yoga

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Minha doutrina - As qualidades da doutrina de Buda



Minha Doutrina

Minha doutrina é semelhante ao oceano.

O oceano é minha doutrina, ambos pouco a pouco vão se tornando cada vez 
mais profundos. Ambos em todas as suas mudanças conservam a unidade. 
Ambos devolvem cadáveres à praia.

Assim como os rios, lançando-se no mar, perdem seu nome e, a partir de 
então, ficam fazendo parte do grande oceano, assim também os homens de 
toda casta, entrando para a comunidade, tornam-se irmãos e passam a ser 
contados como filhos do Buda.

O oceano é o reservatório de todos os cursos d’água e da chuva das 
nuvens e, no entanto, não transborda, nem seca, nunca. Assim, também 
minha doutrina é compreendida por milhões de pessoas, e no entanto não 
aumenta nem diminui.

Assim como o grande oceano está impregnado de um só sabor - o do sal -, 
assim também minha doutrina está impregnada de um só sabor, o da 
libertação.

O oceano e minha doutrina, ambos estão cheios de pedras preciosas, 
tesouros e pérolas, e ambos servem de morada a toda uma poderosa 
existência.

Minha doutrina é pura e não faz distinção alguma entre o nobre e o 
vulgar, o rico e o pobre.

Minha doutrina é semelhante à água que apaga toda nódoa. 

Minha doutrina é semelhante ao fogo que tudo purifica.

Minha doutrina é semelhante ao céu, porque há nela lugar, muito lugar, 
para receber todos os homens, o nobre e o vulgar, o rico e o pobre, o 
poderoso e o humilde.

Shakyamuni

De acordo com as escrituras, esse texto é um trecho da explicação de 
Buda para seu discípulo Ananda sobre os propósitos da doutrina do darma


domingo, 13 de novembro de 2016

Estudos sobre Ácido Lático e as Dores Musculares

Em meu curso de Fisioterapia foi necessário este semestre o desenvolvimento de uma pesquisada relacionada a alguma disciplina. Em meu gosto atual pela bioquímica, acabei selecionando o tema de ácido lático, para descobrir a natureza verdadeira das dores musculares principalmente relacionadas às atividades físicas.

Sem escrever aqui nada muito científico, pois isso pretendo fazer em formato de artigo oficial, eu iniciei a pesquisa crente como a maioria das pessoas de que o ácido lático era o causador da dor, mas como eu suspeito de quase tudo, fui atrás de outras opiniões do ramo científico.
Encontrei artigos nacionais e internacionais que retiravam completamente a culpa do ácido lático como causador das dores musculares ou fadiga durante o treinamento, esclarecendo que a presença de ácido lático não indica necessariamente ser ele o causador.
Não indo exatamente atrás de outro culpado, mas buscando uma relação com diversos fatores, foi encontrado que o cálcio do retículo sarcoplasmático possui dificuldades de reabsorção do músculo quando na presença de fosfato. Esse fosfato advém da quebra de ATP, que é utilizada pelas proteínas presentes nas células musculares e não é rapidamente aproveitada pelo corpo enquanto o indivíduo permanece na atividade física.

Essa pesquisa ainda tentarei relacionar com as práticas de Yoga, cuja predominância da prática de posturas se enquadra no tipo de resistência, mas em questão de pranayamas, se enquadra em aeróbico.

Banner da apresentação

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os oito versos maravilhosos de Sri Krishna Caitanya Mahāprabhu

Os oito versos maravilhosos de Sri Krishna Caitanya Mahāprabhu




Sloka 1

Todas as glórias para Sri Krishna Sankirtana, o qual limpa o coração de todo o pó acumulado por anos, extingue o fogo da vida condicionada, de repetidos nascimentos.
Este movimento de Sankirtana, o canto dos Santos Nomes do Senhor, é a principal benção para a humanidade inteira, porque Ele esparrama os Seus raios tal qual um luar de bênçãos em grandes quantidades refrescante.
Ele é a vida de todo o conhecimento transcendental. Ele multiplica o oceano de glórias transcendentais, e Ele permite a todos experimentar inteiramente o néctar do qual nós estamos sempre ansiosos.

Sloka 2

Ó meu Senhor, somente Teus Santos Nomes podem trazer todos os benefícios para as entidades vivas, e, assim, Tu tens centenas e milhões de nomes como Krishna e Govinda. Nestes nomes transcendentais, Ó Bhāgavan, Tu tens empossado toda a Tua energia transcendental. Não existem regras para cantar estes nomes. Ó meu Senhor, como resultado disto Tu nos capacitastes para nos aproximarmos de Ti pelos Teus Santos Nomes, mas, desafortunadamente, Eu sou assim sem nenhuma atração por Eles.

Sloka 3

Quem cantar os Santos Nomes do Senhor num estado de humildade, pensando ser o mais baixo do que uma palha da rua; sendo mais tolerante do que uma árvore; destituído de todo o sentimento do orgulho, coloca-se pronto para oferecer todos os respeitos para os outros. Desta forma, se pode sempre cantar os Santos Nomes do Senhor Hari.

Sloka 4

Ó Senhor do Universo, Jagannatha! Eu não desejo acumular riquezas, nem desejo belas mulheres, nem quero qualquer seguidores. Ó Supremo Controlador, Ishvara! Eu somente quero Teu serviço devocional imotivado, nascimento após nascimento.

Sloka 5

Ó filho de Mahārāja Nanda, Sri Krishna! Eu Sou Teu eterno servidor; ainda que, Eu tenha caído no horrível oceano de da ignorância, por favor, tenha misericórdia de Mim, salve-Me, e coloque-Me sob a poeira dos Teus pés de lótus.

Sloka 6

Ó meu Senhor! Quando irei enfeitar Meus olhos com as lágrimas de amor, numa correnteza perpétua quando Eu cantar Teus Santos Nomes? Quando Irei gaguejar, e sufocar as palavras; quando Meus cabelos de Meu corpo irão se arrepiar na recitação do Teu Nome?

Sloka 7

Ó Govinda! Sinto saudades de Ti; lembrar de Ti num segundo é como uma era. Lágrimas são derramadas dos Meus olhos como uma torrente de chuva, e o universo todo parece vazio.

Sloka 8

Ó Senhor! Abrace com força este servo caído, e pisando-Me com os Seus pés de lótus; mesmo Me deixando com o coração partido por não poder Vê-lO.
Vós sois completamente livre para tudo, até mesmo para retirar o Meu ar vital prāna, por Eu ser um pecaminoso, mas não há nenhum outro Senhor mais adorável do que Vós.

* Fonte das imagens:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Krishna-eating-butter-poster-with-glitter-BJ32_l.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Krishna_statue,_belur.jpg


sábado, 17 de setembro de 2016

Instrução sobre Yoga - Svetasvatara Upanisad - Capítulo 6 de 6

Svetasvatara Upanisad

Agora, o Svetasvatara-upanisad! OM! Que Brahman nos proteja todos juntos. Que Ele nos nutra todos juntos. Que nós todos possamos trabalhar juntos, com grande energia. Que nossos estudos sejam vigorosos, e efetivos. Que nós não nos odiemos uns aos outros.

Sexto Adhyāya

6.1. Alguns buscadores (da Verdade) falam da própria natureza (das coisas), e outros do tempo – Kāla, como sendo o que gira o mundo; eles estão enganados, é a grandeza do Senhor que a tudo gira, ocasionado pelo roda de Brahman que move o mundo.

6.2. Saiba que a Sua energia assume vários aspectos ou qualidades sob o seu comando como terra ou Prthivi, água ou Apas, luz ou Tejas, éter ou Akas. O Senhor todo-conhecedor, mestre do tempo ou Kāla e das qualidades ou Gunas, penetra em todo o universo. A pessoa sábia sabe que Deus está além de tudo isso.

6.3. Ele projeta o mundo do Karma, e retira-se dele. Ele une (Yoga) o princípio do Espírito com a matéria – com um, dois, três e oito – por intermédio da sua instrumentalidade de tempo, em suas próprias tendências sutis.

6.4. Ele dá início a criação associado com as três qualidades materiais ou Gunas, ordenando tudo. No final, quando deixam de atuar, Ele destrói o mundo, e reside apenas em Si próprio.

6.5. O Senhor original causa a criação pela união do espírito com a matéria. Ele está além das três divisões do tempo, e é sem partes. Ele pode ser percebido pela visão (meditativa) da Sua forma sentado em nosso próprio coração, como o Senhor Adorável, na forma do universo, e origem de todos os seres.

6.6. Conhecendo-O como a origem e dissolução do universo, e do ciclo da existência, do qual todas as virtudes se originam, como sendo o destruidor do mal e das impurezas, Senhor da retidão ou Dharma, a árvore do tempo, o Senhor de todos os poderes está situado no coração, quem a isso conhece alcança a liberação.

6.7. Que nós O realizemos, Ó Mahaisvara! O adorável Senhor do Universo; quem está além da natureza material; Deus dos deuses; Deidade das deidades; Governador dos governadores.

6.8. Ele não tem nada para alcançar, nem possui qualquer instrumento de ação. Não há nada igual ou superior a Ele. Seu grande poder é dito nos Sruti ou Vedas, de diversas maneiras, e sua onisciência, e capacidades, são descritas como inerentes a Ele.

6.9. Nada no mundo é Seu mestre ou governador. Ninguém é superior a Ele. Ele é a causa de tudo, o mestre dos seres individuais. Ele não possui criador e nem possui qualquer controlador.

6.10. Que o Senhor que é Pradhāna, e que espontaneamente cobre a Si mesmo com os produtos da natureza, do mesmo modo como uma aranha tece a sua teia do seu próprio umbigo, que Brahman conceda-nos absorção n´Ele.

6.11. O Uno, Deus, está oculto em todos os seres (é imanente). Ele é que a tudo impregna e o Atman de todas as criaturas. Ele é o vidente de todas as ações ou Karma de todos os seres. Ele é a testemunha; Pura Consciência ou Kevala, e sem atributos ou Nirguna.

6.12. O Uno é o controlador das ações. Ele faz a semente desenvolver-se muitas vezes no mundo. Os sábios que O percebem dentro de si mesmos, alcançam eterna bem-aventurança, e não outros.

6.13. Ele é eterno entre a eternidade, a consciência entre os que a tem, o pensamento, a realização dos desejos, a causa de tudo; nada há em que Ele não esteja. Quem se liberta de todas as amarras (do Karma), realiza-O. Ele é a causa de tudo, e É compreensível por intermédio da filosofia analítica do Ser ou Sankhya-Yoga.

6.14. O Sol não brilha lá, nem a Lua ou as estrelas. Estes relâmpagos não brilham lá, como pode o fogo brilhar? Devido ao Seu brilho, tudo brilha depois d´Ele. Por Sua luz, todo o universo é iluminado.

6.15. Ele é o único aniquilador da ignorância neste universo; Ele é o fogo latenta na água. Pelo conhecimento d´Ele liberta-se da morte. Não há outra via de liberação.

6.16. Ele é o criador e o conhecedor de tudo no universo; Ele é a Sua própria causa, consumidor do tempo; a origem de tudo ou Pradhāna; o repositório de todas as boas qualidades, e o mestre do conhecimento; Senhor por sobre os Gunas (qualidades da matéria); controlador da matéria e do espirito, o liberador do Samsāra; tanto a liberação quanto o cativeiro.

6.17. Ele é a alma de todo o universo; imortal; Senhor de todos; Ele a tudo conhece; a tudo penetra, É o protetor do universo, o controlador eterno. Ninguém mais é capaz de governar por sobre o universo por todo o tempo.

6.18. Procurando pelo conhecimento eu me refugio no Senhor; quem criou Brahmā (o primeiro ser criado), e entregou a Ele as Escrituras dos Vedas, e que desvelou o auto-conhecimento.

6.19. O Senhor Supremo é sem-partes, sem ações; É tranquilo, sem mácula, e desapegado. Ele é a ponte Suprema para a imortalidade, que se dá através da destruição da ignorância, consumindo-a, tal qual o fogo que consumiu combustível.

6.20. Somente quando alguém for capaz de curvar-se no céu, como uma peça de couro, poderá dar fim ao retorno da alma; de outro modo, não há realização em Deus.

6.21. Pelas Tapasias (austeridades), e pela Graça de Deus, a alma realizada Svetaswatara conheceu Brahman, e este mais secreto conhecimento Ele expôs em detalhes para o melhor dos buscadores ou Sannyasis.

6.22. Este elevado segredo do Vedānta, foi exposto numa época antiga, e não deverá ser dado para aqueles cujas paixões não foram subjugadas, nem para alguém que não seja nobre, um filho ou discípulo.

6.23. Quando estas Verdades são ensinadas, brilham avante; apenas naquelas almas que possuem elevada devoção a Deus ou Parā-Bhakti, e igual devoção ao Mestre espiritual ou Guru ou Mahātma. Aquelas Grandes almas ou Mahātman, assim, irão brilhar.

Om shanti shanti shanti

*Crédito pela imagem
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sri_Vikhanasa_Maharishi.jpg

sábado, 10 de setembro de 2016

Instrução sobre Yoga - Svetasvatara Upanisad - Capítulo 5 de 6

Svetasvatara Upanisad

Agora, o Svetasvatara-upanisad! OM! Que Brahman nos proteja todos juntos. Que Ele nos nutra todos juntos. Que nós todos possamos trabalhar juntos, com grande energia. Que nossos estudos sejam vigorosos, e efetivos. Que nós não nos odiemos uns aos outros.

Quinto Adhyāya

5.1. Tanto o conhecimento como a ignorância descançam escondidos dentro do imperecível e infinito Brahman. A ignorância conduz ao mundano perecível, mas o conhecimento conduz para a imortalidade. Brahman, que controla o conhecimento e a ignorância, é diferente de ambos.

5.2. Apenas o Brahman preside por sobre a Natureza em todos os ascpectos, e controla todas as formas e origens da criação. No princípio, somente Ele criou o todo conhecer, o doutrado Hiranyagarbha, e preencheu-o com sabedoria.

5.3. Este Mahātma ou o Uno, esparramou-Se em muitos grupos de seres criados, e os transformou em inumeráveis formas, e tipos de espécies. No final, ele traga tudo para dentro da Si próprio, e novamente age na criação na Prakrti, e realiza a Sua soberania por sobre todos.

5.4. Assim como o Sol brilha clareando todas as moradas acima, abaixo, e além, este Uno e adorável Senhor ou Bhagavan ilumina e controla toda a criação, presidindo como a causa de tudo.

5.5. Ele é a origem de todas as coisas; tudo surge da Sua própria natureza, e conduz as criaturas à perfeição, de acordo com seus desapegos, com as conveniências de cada ser ,de distintas características ou Gunas; É o Senhor de tudo.

5.6. Ele situa-Se nos Upanisads, os quais são a essência dos Vedas. Por Eles Brahmā conheceu a origem ou Brahman Supremo. Os buscadores videntes do passado tornaram-se imortais por unirem-se a Ele.

5.7. Aquele que está identificado com as qualidades materiais ou Gunas, e nos frutos do seu trabalho, apega-se a estas qualidades, tornando-se prisioneiro dos sentidos, assumindo várias formas, vageando através dos três caminhos, como resultado do seu próprio desejo.

5.8. Do tamanho de um polegar, mas cintilante como o Sol, sutil como o buraco de uma agulha, o Jiva possui tanto vontade como inteligência ou Buddhi. Dotado com as qualidades da mente e coração ou Atman, associa-se com egoísmo e vontade ou Sankalpa, por causa das suas limitações.

5.9. A alma individual ou Jiva é extremamente sutil, diminuto como um ponto no fio de cabelo, dividido em centenas de vezes. Assim, ela é potencialmente infinita. Brahman é o que deve ser realizado.

5.10. O Jiva não é nem macho ou fêmea, nem neutro. Qualquer que seja o corpo que assuma, torna-se identificado com ele.

5.11. Através do desejo, contato, apego e ilusão, o Jiva assume sucessivamente vários corpos, em vários lugares, de acordo com seus feitos ou Karma, do mesmo modo como um corpo passa de um estágio a outro durante a vida, quando nutrido por comida e bebida.

5.12. A alma corporificada ou Jiva, assume muitas formas, grosseiras e sutis, de acordo com suas tendências naturais, e resultado de suas ações passadas. Estas tendências, manifestam-se na forma de pensamentos e desejos, mas o modo como se combinam, é outro assunto.

5.13. Realizando-O, como sendo sem começo e nem fim, como sendo o criador que cria o cosmos em meio ao caos, e que assume muitas formas e que a tudo engloba, conhecendo isso, alguém torna-se livre de todos os cativeiros.

5.14. O Bem-aventurado e auspicioso Senhor sem forma, apenas pode ser realizado por um coração puro. Ele é o criador e destruidor de tudo. Ele é a origem de todas as artes e ciências. Conhecendo-O assim, alguém livra-se de futuros nascimentos.

Om shanti shanti shanti

sábado, 3 de setembro de 2016

Instrução sobre Yoga - Svetasvatara Upanisad - Capítulo 4 de 6

Svetasvatara Upanisad

Agora, o Svetasvatara-upanisad! OM! Que Brahman nos proteja todos juntos. Que Ele nos nutra todos juntos. Que nós todos possamos trabalhar juntos, com grande energia. Que nossos estudos sejam vigorosos, e efetivos. Que nós não nos odiemos uns aos outros.

Quarto Adyāya 

4.1. No princípio, o Uno que é sem cor ou casta (Varna), sem diferenciação, criou o mundo de numerosas formas, por Seu próprio e misterioso propósito. E no final, Ele recolhe para dentro d´Ele mesmo o universo inteiro. Que o Senhor nos favoreça com um intelecto claro.

4.2. O Brahman é o fogo, o sol, o ar, a Luz, o brilho das estrelas no céu; a alma Suprema, a água e o Criador ou Prajāpati original.

4.3. Vós sois a mulher, o homem, o jovem e a moça. Vós sois o velho que cambaleia inclinado por sobre uma bengala; nascestes para assumir diferentes
formas.

4.4. Vós sois a borboleta azul-escuro; vós sois, também o papagaio verde de olhos vermelhos. Vós sois a nuvem de chuva trovejante (com relâmpagos), as estações e os oceanos. Vós sois sem começo, e todo-penetrante. De Vós todos os mundos surgiram.

4.5. Ele (o Brahman) é não-nascido; é a natureza (feminina), é vermelho, branco e preto (escuro), e que gera prole como Ele (ou Ela); uma alma não nascida torna-se apegada a Ele, enquanto o Brahman – não-nascido – abando-a depois da experiência com ela.

4.6. Dois pássaros de bela plumagem, de inseparável companhia, estão pousados numa mesma árvore. Um deles agarra os doces frutos, e o outro os olha sem comer.

4.7. Na mesma árvore, um homem – Anisa – senta-se pesarosamente, submerso, confuso por sua própria impotência. Mas quando ele vê o outro Senhor ou Isa, contentando-se com Sua glória, sua tristeza se vai.

4.8. O que o beneficia são os Vedas, para quem não conhece sobre o indestrutível, e elevado Ser Supremo – imperecível Brahman, que é o sutil dos céus, e no qual os Devas e Vedas estão abrigados. Apenas aqueles que O conhecem obtêm a realização.

4.9. Os Vedas, os sacrifícios ou Yajñās, os rituais, as penitências, o passado e o futuro, e todos os costumes religiosos declarados nos Vedas, vêm de Brahman. Brahman projeta o universo inteiro através de Seu poder ou Māya. O outro, sempre, é atado por Māya.

4.10. Saibam que a Natureza ou Prakrti é Māya, e que Brahman é o grande controlador ou Mahesvara. Os seres que preenchem todo o universo são Seus membros.

4.11. O Adorável Senhor, apesar de não-dual, preside sobre todos os aspectos da natureza, Ele é o Doador de todas as bênçãos. O mundo todo vem d´Ele, e no final dissolve-se n´Ele.

4.12. O Senhor Supremo é o criador e sustentador das várias atividades do universo. Ele criou Hiranyagarbha, a alma cósmica. Ele é Rudra Maharshi, o grande destruidor da ignorância, e o Senhor de todas as coisas. Que Ele nos favoreça com nobres pensamentos.

4.13. Ele, que é o Senhor dos Devas, e no qual o mundo repousa; quem governa todos os seres, bípedes, e quadrúpedes; deixai oferecermos nossas adorações para este radiante e bem-aventurado Senhor.

4.14. O Senhor auspicioso, que é mais sutil do que é sutil; que cria o mundo em meio ao caos; que apesar de ser Uno assume muitas formas, e que a tudo interpenetra no universo; por conhecê-lO, alcança-se a paz suprema.

4.15. Ele é o único protetor do mundo no devido tempo. Ele é o Senhor do Universo, escondido no interior de todos os seres. O sábio realizado e Devas estão unidos a Ele. Verdadeiramente, por conhecê-lO, corta-se as correntes da morte.

4.16. Realizando o Uno, que é Deus imanente em todos os seres, e de certa maneira é mais sutil do que a nata do leite, que é sempre bem-aventurança, que sozinho impregna todo o universo, liberta-se de todos os apegos.

4.17. Esse princípio Divino ou Deva criou todo o universo inteiro, e permeia o coração de todas as criaturas, como sua morada permanente, e é determinado por intermédio do coração, mente e intelecto. Aqueles que conhecem isto rendem-se ao Imortal.

4.18. Quando a escuridão da ignorância é dissipada, não há dia nem noite, nem ser e não-ser, somente o puro Uno, imperecível, Realidade adorável refulgência, e de quem toda a antiga sabedoria deriva-se.

4.19. Ninguém pode segurá-lO, acima, no lado ou no meio. Não há ninguém igual a Ele, cujo nome é grande glória ou Mahā-Purusha.

4.20. Sua forma não pode ser conhecida pelos nossos sentidos. Ninguém pode vê-lo com seus olhos. Aqueles que realizam-nO como Ele estando dentro dos seus corações, tornam-se imortais.

4.21. Ó não-nascido (Brahman), os liberados refugiam-se em Ti. Ó Rudra! Que Teu olhar benevolente proteja-me sempre.

4.22. Ó Rudra, que Tua ira não fira nossa crianças, nossa vida, nossos netos, vacas e cavalos, ou nossos heróis. Nós Te convocamos sempre em nossas oblações.

Om shanti shanti shanti

sábado, 27 de agosto de 2016

Instrução sobre Yoga - Svetasvatara Upanisad - Capítulo 3 de 6

Svetasvatara Upanisad 

Agora, o Svetasvatara-upanisad! OM! Que Brahman nos proteja todos juntos. Que Ele nos nutra todos juntos. Que nós todos possamos trabalhar juntos, com grande energia. Que nossos estudos sejam vigorosos, e efetivos. Que nós não nos odiemos uns aos outros.

Terceiro Adhyayah

3.1 O Uno Absoluto, junto com o seu poder indescritível ou Māya, aparece como o Senhor que governa sobre todos os mundos, com o Seu Supremo Poder. Na época da criação do mundo, e depois da sua dissolução, apenas existe Ele. Aquele que realiza o Uno torna-se imortal.

3.2. Rudra (Shiva) é o Uno Senhor sem um segundo, que governa e protege todos os mundos, pelo Seu próprio poder. Ele reside no coração de todos os seres. Ele protege o universo, mantém, e finalmente retira-se para dentro de Si mesmo (no ciclo da destruição).

3.3. Ele tem olhos, braços, faces, e pés em todos os lugares, na forma dos seres criados, com mãos, pés e asas. Ele criou os céus e a Terra, mas permanece como o Senhor não-dual de tudo.

3.4. Que Rudra o Grande sábio ou Maharshi, o Senhor de todos os mundos ou Hiranyagarbha, criador dos sentidos, e o seu suporte, que no principio criou a alma cósmica, nos favoreça com um intelecto nobre.

3.5. Oh Rudra, Senhor auspicioso, que abençoa a todas as criaturas; removedor das contaminações! Ó desvelador dos Vedas! Nos Digne da felicidade por Vosso pacífico e bem-aventurado Ser, o qual remove as raízes do medo, e da ignorância.

3.6. Ó desvelador das Verdades dos Vedas! Ó Siva! Torne-nos como uma flecha em Suas mãos pronta para o uso. Ó protetor dos devotos, não destrua Vossa forma pessoal, a qual fez o universo manifesto.

3.7. O Brahman Supremo ou Param Brahman! És mais elevado do que o deus pessoal. Ele é infinito e esconde-se nos corpos de todas as entidades vivas. Pelo conhecimento de que Ele penetra todo o universo, uma pessoa torna-se imortal.

3.8. Este Grande Ser ou Purusha, que é brilhante como o Sol, está além de toda a ignorância ou Tamas. Apenas por conhecê-lo, se vai além da morte; não há outro meio de liberação.

3.9. Não há nada superior ou diferente d´Ele (Brahman); não há nada maior ou menos do que Ele. Enraizado na Sua própria glória, Ele o Purusha sustenta-Se tal qual uma árvore, sendo imóvel e sem segundo, todo o universo está impregnado d´Ele.

3.10. Ele está muito além deste mundo; é sem forma e está livre de toda a miséria. Aqueles que conhecem isso se tornam imortais. Mas todos os outros, de fato, sofrerão apenas misérias.

3.11. O Divino e auspicioso Senhor, todo-penetrante, onipresente, e bom, reside no coração de todas entidades vivas, e usa todas as faces, cabeças, pescoço de todos os seres.

3.12. Este grande mestre - Mahāprabhu – é o Purusha, quem a tudo governa. Sua luz imperecível guia o buscador (da Verdade Suprema) para alcançar o estado de pureza.

3.13. O Purusha, não é maior do que o tamanho de uma polegada, é o Atman interior, que está sempre situado no interior do coração de todos os seres. Ele pode ser conhecido diretamente através de uma mente purificada, e de um intelecto com discernimento; quem O conhece, torna-se imortal.

3.14. O Purusha possui milhares de cabeças; milhares de olhos, e milhares de pés, que cobrem todo o universo em todos os lados. Ele existe além dos dez dedos.

3.15. Apenas o Purusha está em tudo isso; É o que É, o que foi, e o que será. Além disso, Ele é o único senhor da imortalidade ou Amrta. O qual, mostra-Se também como alimento, que também é Purusha.

3.16. Com Suas mãos e pés em todos os lugares, bem como cabeças, olhos, bocas e orelhas, Ele existe a tudo impregnando no universo.

3.17. Devido aos Seus próprios sentidos, Ele brilha através da função dos sentidos de todos. Ele é o Senhor de todos; o governador ou controlador de todos, bem como o amigo e o refúgio de todos.

3.18. Ele reside no corpo, a cidade de nove portões. Ele realiza Lilas ou passatempos transcendentais no mundo, e no além mundo, de inumeráveis formas. Ele é o controlador de todo o mundo; do móvel e do imóvel.

3.19. Sem mãos e pés Ele se move rápido e seguro. Ele vê sem olhos, e escuta sem ouvidos. Ele conhece seja o que for para ser conhecido, mas ninguém O conhece. Os Mahātmas ou sábios chamam-nO de Pessoa Suprema ou Maha-Purusha.

3.20. Mais delicado do que qualquer coisa delicada; maior do que qualquer coisa (quão grande seja); o Atman está oculto no coração das criaturas. Pela Graça do Criador – por sua misericórdia - podemos nos tornar livres do sofrimento e dos desejos, e então poderemos realizá-lO, como o maior Senhor.

3.21. Eu conheço Este sem princípio, não afetado pelo processo de envelhecimento; o Uno onipresente, que permeia todos os seres. Aquele que conhece o Supremo Brahman declara que Ele é eterno e não nascido.

Om shanti shanti shanti

* Crédito pela imagem:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Four-armed_Seated_Vishnu_in_Meditation_-_Mediaeval_Period_-_Pannapur_-_ACCN_14-379_-_Government_Museum_-_Mathura_2013-02-23_5275.JPG