Fazendo Yoga

sábado, 13 de agosto de 2016

Instrução sobre Yoga - Svetasvatara Upanisad - Capítulo 1 de 6

Svetasvatara Upanisad

Agora, o Svetasvatara-upanisad! OM! Que Brahman nos proteja todos juntos. Que Ele nos nutra todos juntos. Que nós todos possamos trabalhar juntos, com grande energia. Que nossos estudos sejam vigorosos, e efetivos. Que nós não nos odiemos uns aos outros.

Primeiro Adhyayah

Hari Om, o conhecimento Supremo ou Brahma-vidya.


1.1. Os buscadores do Brahman, conversam entre eles: Qual é a causa do Brahman? De onde Ele nasce? Por que nós vivemos? Onde é nosso descanso final? Sob que ordens estamos nós? Quem conhece o Brahman, sujeito à lei da alegria e da miséria?

1.2. Tempo, natureza, lei, mudança, matéria, energia, inteligência, nenhuma destas coisas, nem a combinação delas, podem suportar um exame, devido ao seu próprio nascimento, identidade, e a existência do Atman. O Atman também não é um agente livre, estando sobre o manejo da felicidade e da miséria.

1.3. Praticando o método da meditação, eles (Sadhakas) realizaram o Atman, que é o Deva, pelo poder de Shakti; que é tanto com qualidades ou Saguna, como sem qualidades ou Nirguna; que é a origem do intelecto, emoções, e vontade; que é sem um segundo; que preside sobre todas as causas acima enumeradas, iniciando com o tempo, e terminando com a alma individual; e que tem sido incompreensível devido às limitações do nosso intelecto.
* Gunas são os atributos da natureza e existem três: rajas, tamas e satva. Rajas é a energia ativa, tamas é a energia passiva e satva a energia do equilíbrio.

1.4. Nós O pensamos como o universo, parecendo como uma roda, a qual tem uma coroa de raios com tríplice aro, e dezesseis extremidades, cinqüenta raios, vinte contra-raios, e seis grupos de oito; os quais estão dirigidos junto com três diferentes rodas, através de um cinto, que é único e também múltiplo; e no qual, cada giro acrescenta dois.

1.5. Nós pensamos n´Ele, na Sua manifestação, como universo, que é com um rio que contém água de cinco vertentes; que tem cinco grandes voltas, devido a cinco causas; que tem cinco Pranas de ondas, a mente – a base das cinco envolturas da percepção – para a origem, e das cinco envolturas da miséria para suas correntes; que possui cinco redemoinhos, cinco ramos e inumeráveis aspectos.

1.6. Nesta roda infinita de Brahman, na qual tudo vive e repousa, a alma peregrina gira. Conhecendo a alma individual ou Jiva, até agora vista como separada, como sendo por si mesma a força do movimento, e abençoada por Ele, ela alcança a imortalidade.

1.7. Isso é expressamente declarado como sendo o Supremo Brahman. No que Ele é triplo. Ele é o firme suporte. E O imperecível. Conhecendo a essência interior disto, os conhecedores dos Vedas, tornam-se devotados ao Brahman, mergulhando-se n´Ele, e liberando-se do nascimento.

1.8. O Senhor sustenta este universo, o qual consiste numa combinação do que é perecível e imperecível, manifesto e imanifesto. Enquanto o Atman não conhecer o Senhor, ele irá sentir atração pelos prazeres mundanos, ficando preso; mas quando conhece o Brahman, todas as amarras se desfazem.

1.9. A consciência do sujeito, e o objeto inconsciente; o mestre e o servo são não-nascidos. Assim é também Maya, a qual conecta-os, que traz o desfrutador e o desfrute, é não-nascida. Quando estas três mentes realizam-se no Brahman, o Atman torna-se infinito, universal, e livre de sentir-se o agente.

1.10. A matéria é perecível, mas Hara (Shiva) é imperecível e imortal. Ele é Pradhāna, ou a causa primeira. Governando por sobre a matéria perecível e a alma individual ou Jiva. Pelo processo de meditar n´Ele, unindo-se a Ele, tornando-se uno com Ele, toda a ilusão termina.

1.11. Com a realização (de Brahman), todas as amarras se desfazem. Com a diminuição da ignorância, o nascimento e a morte cessam. Indo além da consciência do corpo, pelo ato de meditar n´Ele (no Supremo), alcança-se o terceiro estado, a saber, a absoluta soberania. Todos os desejos são satisfeitos, e ele torna-se uno com o sem segundo.

1.12. Este Brahman é conhecido como existindo eternamente no Atman. Deveras, não há nada para ser conhecido depois d´Ele. Como um resultado da contemplação, o contemplador e o contemplado, e o poder que traz as coisas para a contemplação, diz-se que são os três aspectos do Brahman.

1.13. O fogo, apesar de estar apenas presente numa varinha de madeira, não perde seus indicadores; ele não é visto, mas pode ser realizado (vir a ser), quando uma varinha esfrega-se numa outra. O Purusa é como o fogo. Ele realiza-se no corpo através da meditação da sílaba sagrada OM.

1.14. Fazendo o seu próprio corpo como uma peça de madeira, e o Pranava OM como a peça maior, empregando-a num método de meditação contemplativa, tal qual o ato de esfregar uma contra a outra, realiza o Brahman, que está escondido (com o fogo na lenha).

1.15. Tal como o óleo (está oculto) na semente de sésamo (gergelim); como o a manteiga no leite, a água que brota do solo; o fogo na madeira, do mesmo modo, o Puru-a é percebido no Atman. Uma alma realizada procura por Ele (Brahman) constantemente com penitência ou Tapasya e autocontrole, e concentração.

1.16. O Atman Supremo, que a tudo impregna, é como a manteiga contida no leite, e o qual é a raiz do autoconhecimento e meditação; é Brahman, o destruidor da ignorância, dos Upanisads.

Om shanti shanti shanti

* Créditos pela imagem:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Gods_AS.jpg



Sinopse

A Brhadaranyaka Upanishad ou a "Grande Upanishad da Floresta" pertence ao grupo das Upanishads Principais, sendo a maior delas e, talvez, a maior de todas dentre as 108 Upanishads consideradas como as mais fiéis à tradição vêdica pela Mukti Upanishad. Teria sido escrita entre 1000 e 800a.C., sob a forma de prosa antiga. A palavra Upanishad é de origem sâncrita e significa "sentar-se com humildade, em plano inferior,". Trata-se de uma alusão ao fato de o discípulo sentar-se aos pés do mestre, com humildade, para ouvir.


  • Editora: Madras       Ano Edição: 2013
  • Número Edição: 1    Qtde. Páginas: 251

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