Svetasvatara Upanisad
Segundo Adyayah
2.1. Para realizar o Atman Supremo, primeiro controla-se os sentidos, através do apaziguamento da mente, meditando na luz do fogo do coração, onde o Brahman interior pode ser visto por detrás da aparência física.
2.2. Com a mente sob controle manifesta-se a Alma Imanente, auto luminosa, e alcança-se a bem-aventurança Suprema.
2.3. Pelo controle da mente, pela procura do contentamento interior, e pelo poder auto luminoso interior, a luz - do Brahman - inicia a brilhar.
2.4. Grande é a glória da Alma Imanente, que a tudo interpenetra, todo conhecimento, infinita e auto refulgente. O sábio que a isso conhece, através do controle da mente, e do poder do raciocínio, pratica a meditação e concentração (no Ser ou Brahman).
2.5. Ouça, ó filho da imortalidade, e residente do céu! Siga apenas as pegadas do sábio; pela contínua meditação, mergulha a mente e o intelecto no Brahman eterno. As glórias do Senhor irão desvelar-Se para ti.
2.6. Onde o fogo do intelecto está preparado pela meditação; onde o Prana é controlado (pela respiração ou Prānāyāma), e o amor divino flui, a mente alcança a perfeição.
2.7. Seja devotado ao Brahman sem princípio, por intermédio da alma interior ou causa primordial. Deste modo a origem da ignorância será destruída, e se ficará acima dos efeitos do Karma.
2.8. Colocando o corpo numa posição correta; mantendo o peito, o pescoço e a cabeça eretos, atraindo os sentidos e a mente para dentro do coração, o conhecedor cruzará todos os tormentos por meio da jangada do Brahman.
2.9. Controlando os sentidos, e regulando as atividades corpóreas, deve-se inspirar pelas narinas quando as atividades vitais tornarem-se débeis (Prānāyāma). Então, o sábio conterá a sua mente sem distração, como o controlar dos cavalos inquietos com rédeas.
2.10. Deve retirar-se para uma caverna ou outro lugar solitário, abrigado do vento e da chuva, e de distúrbios ruidosos; sentar-se num nível livre de seixos, pó, e umidade, e com arredores agradáveis, praticar a concentração da mente.
2.11. As formas que aparecem como neve, fumaça, sol, vento, fogo, chamas ou cintilações, relâmpagos, cristal e lua, são provenientes da manifestação do Brahman, na prática deste Yoga.
2.12. Praticando meditação o Yogin concretiza que seu Atma é diferente do corpo, constituído dos cinco elementos. No lugar disto, ele sente que seu corpo é feito do fogo do Yoga, não sendo afetado por doença, velhice e morte.
2.13. Os primeiros sinais de progresso no Yoga são as sensações de luz do corpo, boa saúde, liberdade das amarras (do Karma), compleição clara, doce voz, cheiro agradável do corpo, e poucas excreções do corpo.
2.14. Tal qual um objeto coberto pelo pó, sendo limpo, volta a brilhar, o Atma incorporado, realizando o princípio do Brahman, percebe a sua unidade, e tendo alcançado a meta (pelo fim dos desejos), ele não sofre.
2.15. Quando o Yogin realiza a Verdade do Brahman, através da percepção da verdade do Atman no seu corpo, como uma entidade auto luminosa, então, conhecendo a Divindade não-nascida, que é eterna, e livre de todas as modificações da Prakrti, ele liberta-se de todas as contaminações.
2.16. Este (Brahman) é o Uno brilhante, que se estende em todas as direções e é onipresente. Ele é o primogênito, e quem foi o primeiro, e irá manifestar-se também no futuro. Ele é o habitante que está no interior de todos os seres, e sobre todas as direções (o Brahman é onipresente), e que a todos liberta.
2.17. Saudações para esta Divindade, que está no fogo, na água, nas plantas, nas árvores, que a tudo penetra no universo inteiro.
Om shanti shanti shanti
* Crédito pela imagem:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_havan_ceremony_on_the_banks_of_Ganges,_Muni_ki_Reti,_Rishikesh.jpg

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