Durante as aulas de Yoga é comum a utilização de termos sânscritos, tais como asanas, mantras e mudras.
Há instrutores que todas as posturas são faladas em sânscritos, seguidas do termo em português.
A pergunta se é importante ou não "decorar" os termos teria, certamente, a resposta SIM, sem dúvida.
Porém vamos além dos termos. Mais do que "decorar", você começa a compreender as palavras, isso trará para si um benefício de memória e concentração sem perceber, ou seja, vai além da prática visível do mudra ou do asana em si.
Outro ponto é a padronização do diálogo, pois permite obter conhecimento de outras pessoas que não sejam o seu instrutor, mesmo que seja de outro idioma.
Claro que até mesmo o sânscrito possui variações no uso dos termos. Por exemplo, a postura Uttanasana pode ser chamada de Padahastasana. Saber isso torna muito mais fácil a pesquisa e entender rapidamente que se trata da mesma postura.

Quando você entende que "Uttana" significa "alongamente intenso", "Pada" significa pé e "Hasta" significa mão, fica fácil reconhecer apenas ouvindo outras posturas de como que ela é feita e a atenção que deve ser concentrada. Poderíamos dizer que em Uttanasana o foco é o alongamento em si, enquanto que em Padahastasana, o foco é em colocar as mãos nos pés.
Usei essa postura de exemplo porque é bem fácil, principalmente porque há uma terceira variação de nome: Hasta Padasana. Se analisar as palavras, será que há alguma diferença ou é apenas uma variação de região da Índia?
Por último, o uso do termo em sânscrito permite muitas vezes obter o "poder" da palavra e compartilhar da expressão com todos. Ou seja, é muito mais envolvente ouvir "Bhujangasana" do que "Postura da cobra".
E cantar os mantras em sânscrito permite aumentar ainda mais essa conexão e seguir o ritmo harmonioso e original em que foi composto.
E atualmente temos uma facilidade. Só precisamos ouvir e repetir. Não precisamos "ler" o sânscrito em si, e sim sua transliteração.
Um exemplo é o mantra Gayatri:
ॐ भूर्भुवस्व: | तत्सवितुर्वरेण्यम् | भर्गो देवस्य धीमहि | धियो यो न: प्रचोदयात्
Ler isso é impossível para a maioria de nós e para isso existe a transliteração, que fica:
Oṁ Bhūr bhuva swaha Tat savitur varenyam bhargo devasya dhīmahi dhiyo yo na prachodayāt
Lendo dessa forma é possível quase cantar corretamente sem nunca ter escutado o mantra e mesmo assim já iniciar suas pesquisas.
O problema começa quando se quer traduzir alguns mantras complexos como esse, pois alguns tratam os elementos da natureza como deuses e outros como elementos puros e qualitativos da natureza. Essa diversidade ocorre devido aos interesses (nem sempre explícitos) do tradutor, seja brasileiro, americano ou mesmo indiano, pois as divisões de Yoga muitas vezes começam logo após a fonte.
Basicamente este mantra diz: "Que o esplendor da luz irradie à todos os seres e inspire a nossa inteligência."
* Créditos:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sanskrit_letters.jpg.gif
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Raja_padahastasana.jpg?uselang=pt-br
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sukha_padahastasana.jpg


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