Fazendo Yoga

terça-feira, 5 de julho de 2016

Sri Raja Yoga Pradipika - Texto Puro

1. Sri Bhagavan - Sri Krishna, encarnado como Kapila Muni – disse: minha querida mãe – Devahuti –Óh! filha do rei, agora Eu irei explanar para Ti o sistema de Yoga, cujo objetivo é concentrar a mente. Pela prática deste sistema, uma pessoa pode tornar-se feliz, e progressivamente avançará no caminho da Verdade Absoluta.

2. Deve-se executar as obrigações prescritas, no melhor das habilidades, e evitar realizar obrigações não designadas. Deve-se sempre estar satisfeito com o que é obtido, e assim se alcançará a Graça do Senhor, devendo adorar os pés de lótus do Mestre Espiritual.

3. Deve-se parar de realizar as práticas religiosas convencionais, e atrair-se por aquilo que conduz a salvação. Deve-se comer muito frugalmente, sempre devendo permanecer isolado (das coisas mundanas), para se alcançar a mais elevada perfeição da vida.

4. Deve-se praticar o Ahimsa ou não-violência, e a veracidade, devendo evitar roubar, e contentar-se com as posses que sejam apenas o necessário para a manutenção. Deve-se abster da vida sexual; deve-se ser austero, ser limpo, estudar as Escrituras como os Vedas, e adorar a Deus.

5. Deve-se observar o silêncio, adquirir estabilidade pela prática de diferentes posições ou asanas; controle do Prana através da respiração ou Pranayama; retirada dos sentidos dos objetos dos sentidos ou Pratyahara, concentrando a mente no coração.

6. Deve-se fixar o ar vital ou Prana, e a mente ou Mana, no interior do organismo, direcionando a concentração para os Lilas ou passatempos de Vaikuntha (mundo transcendental, ou morada de
Krishna); isso se chama Samadhana (Samadhi) – união com o Supremo.

7. Por estes procedimentos, deve-se controlar a mente corrompida e inquieta, por estar sempre atraída pelo desfrute material, e então se iluminar nos pensamentos fixos no Senhor.

8. Depois de ter controlado a mente, e as posições sentadas como o Sukasana, deve-se cobrir um local para sentar, num lugar recluso e santificado, sentando numa posição agradável, mantendo o corpo ereto, e controlando a respiração.

9. O Yogi deverá limpar a passagem do ar vital ou Prana através da respiração, da seguinte maneira: primeiramente, deverá inalar lenta e profundamente, então deverá segurar a respiração ou Kumbhaka, e depois exalar. Também deverá exalar ou Rechaka, devendo segurar sem ar, e depois inalar. Assim fazendo a mente torna-se firme, ficando livre das variações externas.

10. Os Yogis que praticam estes exercícios, em breve libertam-se de todos os distúrbios mentais, assim como o ouro, quando colocado no fogo e soprado com ar, livra-se de todas as impurezas.

11. Pela prática do processo de Pranayama, se pode erradicar as impurezas; e pelo Dharana, concentra-se a mente, livrando-se de todas as contaminações. Através da contenção dos sentidos ou Pratyahara, pode-se livrar das associações materiais, e pelo processo de meditação ou Dhyana no Senhor Supremo ou Isvara, se pode livrar dos modos da natureza material ou Gunas.

12. Uma vez que a mente está inteiramente purificada pela prática do Yoga, deve-se concentrar na ponta do nariz, tendo os olhos semiserrados, meditando-se em Bhagavan (Sri Krishna).

13. O Senhor possui uma alegre aparência como uma flor de lótus, com Seus olhos avermelhados como o interior de uma flor de lótus, e o Seu corpo é moreno como as pétalas de um lótus azul. Ele sustenta uma concha, um disco e uma maça em três de Suas mãos.

14. Seus quadris estão cobertos com um tecido brilhante, amarelo como os filamentos do lótus. No Seu peito, está a marca de Srivatsa, e Ele tem uma mecha de cabelo branco encaracolado. A brilhante jóia Kastubha está pendurada no Seu pescoço.

15. Ao redor do Seu pescoço há uma guirlanda de atrativas flores silvestres, e um enxame de abelhas, intoxicadas com as suas fragrâncias deliciosas, zumbindo por sobre a guirlanda. Além disso, Ele está elegantemente adornado com um colar de pérolas; uma coroa, e com pares de bracelete, pulseiras, e tornozeleiras.

16. Seus quadris e coxas estão rodeados por um cinto, e Ele se sustenta por sobre o lótus do coração do Seu devoto. Ele é o que há de mais encantador para ver, e Seu aspecto sereno regozijam os olhos, e as almas dos devotos que O contemplam.

17. O Senhor é eternamente muito lindo, e Ele é adorável por todos os habitantes de cada planeta.
Ele é sempre jovem, e sempre ávido para conceder Suas bênçãos para os Seus devotos.

18. A Glória do Senhor é sempre digna de ser cantada ou Kirtana, pois as Suas Glórias enaltecem as glórias dos Seus devotos. Deve-se, por conseguinte, meditar sobre o Senhor e o Seus devotos. Deve-se meditar na forma eterna do Senhor até que a mente se torna estável.

19. Desta forma, o Yogi visualiza o Senhor movendo-Se, descansando, ou sentado no interior dele; nos Seus belos afazeres, tendo a mente pura.

20. Ao fixar a sua mente na forma externa do Senhor ou Bhagavan, o sábio Yogi não deverá observá-lO numa visão conjunta de todos os Seus membros, mas deverá fixar a mente em cada uma das Suas partes individuais.

21. Os devotos ou Bhagavatas, primeiramente, deverão concentrar as suas mente nos pés de lótus do Senhor, os quais são decorados com as marcas auspiciosas de um raio, um aguilhão, uma bandeira e um lótus. O esplendor das Suas maravilhosas unhas, na cor do rubi, assemelham-se a órbita da Lua, e dissipam a grossa escuridão do coração de alguém.

22. O auspicioso Senhor Siva torna-Se tanto mais abençoado por sustentar por sobre a Sua cabeça as sagradas águas do Ganges, as quais têm suas origens nas águas que lavaram os pés de lótus do Senhor. Os pés de lótus do Senhor agem como raios que são jogados para quebrar a montanha de impurezas armazenadas na mente, do devoto meditante. Deve-se, portanto, meditar nos pés de lótus do Senhor por um longo tempo.

23. O Yogi deve fixar-se no seu coração as atividades de Lak mi Devi (deusa da fortuna), que é adorada por todos os semideuses, como sendo a mãe do Criador. Ela pode ser encontrada sempre massageando as pernas, coxas e joelhos do Senhor, Aquele que transcende toda a natureza material, servindo-O, deste modo, com muito carinho.

24. A seguir, deve-se fixar a mente nas coxas do Senhor, o reservatório de toda a energia. As Suas coxas são azul-esbranquiçadas, como o brilho da flor de linhaça, e parecem muito graciosas quando Ele é carregado por sobre as costas de Garuda.
Também, deve-se contemplar Seus quadris arredondados, os quais são enlaçados por um cinto, que repousa sobre a sua belíssima vestimenta de seda amarela, que se estende até os tornozelos.

25. Deve-se meditar no Seu umbigo, semelhante à Lua, no centro do Seu abdome. Do Seu umbigo, o qual é a fundamentação do universo inteiro, brota o caule de lótus contendo todos os diferentes sistemas planetários. O lótus é a origem do Atma (também de onde surgiu Brahma). Os Seus
mamilos lembram um par de belíssimas esmeraldas, e eles parecem esbranquiçados devido aos raios branco leitosos do colar de pérolas que adorna o Seu peito.

26. Deve-se meditar no peito do Senhor, a morada da deusa Maha-Lakmi. O peito do Senhor é a origem de todo o prazer transcendental para a mente, e para a total satisfação dos olhos. Deve-se ter bem gravado o pescoço do Senhor, que É adorado pelo universo inteiro. O pescoço do Senhor concede o enaltecimento da beleza da jóia Kastubha, que está pendurada no seu peito.

27. Mais adiante, deve-se meditar nos ornamentos dos braços do Senhor, que são a origem de todos os poderes dos semideuses, que controlam as várias funções da natureza material. Deve-se concentrar nos ornamentos polidos, os quais foram polidos pelo monte Mandara, enquanto ele girava. Deve-se contemplar devidamente o disco de mil raios, e de brilho ofuscante, bem como a concha ou búzio, que se assemelha a um cisne nas Suas mãos como flor de lótus.

28. Deve-se meditar na clava de Bhagavan ou Maça chamada Kaumodaki, que Lhe é muito querida. Esta clava esmaga os demônios, que são sempre inimigos hostis, e está untada com o sangue deles. Deve-se concentrar na bela guirlanda do Seu pescoço, a qual está sempre rodeada de abelhas, com os seus agradáveis zumbidos, também devendo-se meditar no colar de pérolas do pescoço do Senhor, o qual é o representante das entidades vivas puras, que estão sempre engajadas a Seu serviço.

29. Deve-se meditar na face do Senhor que é da compleição do lótus; que nos presenteia Suas diferentes formas neste mundo, como resultado da Sua compaixão por Seus devotos aflitos. Seu nariz é proeminente, e Suas bochechas proeminentes São claras como o cristal, e iluminam-Se pelo oscilar dos Seus reluzentes brincos na forma de crocodilo.

30. Deve-se meditar na bela face do Senhor, adornada lindamente com Seus cabelos encaracolados, e decorados pelos Seus olhos como o lótus, e Suas sobrancelhas dançantes. Um belo lótus rodeado por um enxame de abelhas, e um par de lindos peixes, sentiriam-se envergonhados por Sua elegância.

31. Deve-se contemplar com plena devoção, as misericordiosas olhadelas, frequentemente arremessadas pelos olhos do Senhor, porque elas apaziguam as mais terríveis tríplices agonias dos Seus devotos. Seu olhar, acompanhado por um reluzente sorriso, é pleno de Graça e abundância.

32. Deve-se, igualmente, meditar no mais benevolente sorriso do Senhor Hari; sorriso o qual, para aqueles que se prostram para Ele, enxuga fora o oceano de lágrimas, causadas pelo intenso pesar. Deve-se, também, meditar nas sobrancelhas arqueadas do Senhor, as quais são a manifestação da Sua potencia interna, para encantar o semideus do sexo, para o bem dos sábios.

33. Deve-se com afeição, e impregnado de amor, meditar interiormente no centro do coração, no sorriso do Senhor Vinu. O sorriso de Vinu é tão cativante que se pode meditar n´Ele facilmente. Quando Visnu está sorrindo, assemelha-se a botões de jasmins, de desenho rosado, pelo esplendor dos Seus lábios. Uma vez devotada a mente nisso, não mais se desejará ver alguma coisa mais.

34. Por seguir isso, o devoto ou Bhagavata, irá desenvolver gradualmente devoção ou Bhakti pelo Senhor Hari. No desenrolar da sua devoção, seus cabelos e os pelos do seu corpo irão arrepiar-se, pela extrema felicidade, e uma corrente de lágrimas incessantes jorrará dos seus olhos, ocasionada pelo intenso amor. De forma gradual, mesmo a mente, que foi usada como um meio para atrair o Senhor, tal qual um peixe que se atrai para um anzol retira-se da atividade material.

35. Quando a mente estiver completa e inteiramente livre de todas as contaminações mundanas, e materiais, e assim desapegada das coisas materiais, ela se torna serena tal qual a chama de uma lâmpada onde não há vento. Nesta hora, a mente, deveras, encaixa-se com a mente do Purusha, e o Atman experimenta a unidade com Ele, devido ao fato de estar livre do fluxo das qualidades materiais.

36. Estando assim situada no mais elevado estágio transcendental, a mente cessa toda a atividade material, assentando-se por sobre a sua própria glória, sem agitações ou movimentos, transcendendo as concepções mundanas de alegria e tristeza. Neste momento, realiza-se a verdade do relacionamento com o Paramatma ou o Supremo Brahman. Descobre-se que o prazer e a dor, bem como as suas interações, que no mais das vezes são atribuídas a própria pessoa, são, de fato, devidas a ignorância e ao egoísmo.

37. Devido ao fato de ter-se alcançado a real identidade ou Svarupa, não há concepção de como é que o corpo material de move ou atua, assim como uma pessoa embriagada não pode deduzir se está ou não usando roupas no seu corpo.

38. O controle do corpo de tal pessoa liberada, junto com os sentidos, é assumido pelo Divino, até que o Karma da pessoa seja extinto. O devoto liberado ou Bhakta, estando desperto da sua posição constitucional (de identidade com o Brahman ou Paramatma), está em completa união ou Yoga chamado Samadhi, rejeitando os produtos do corpo material como sendo seus.
Desta forma, passa a considerar as atividades corporais como sendo atividades durante o sonho ou Svapnam.

39. Devido a grande afeição por aspectos como família, e riqueza, uma pessoa aceita um filho, e uma porção de dinheiro como se fossem seus, e devido a esta identidade material, ela pensa que estas coisas são suas. Contudo, na realidade, uma vez que o Atman ou alma está liberado, pode-se compreender perfeitamente que Ele, e seu corpo, são distintos.

40. O fogo ardente é diferente das chamas, bem como das fagulhas e da fumaça que sai dele, apesar de tudo estar conectado intimamente com as chamas que surgem da madeira que queima.

41. Os elementos ou Bhutas (os cinco elementos que constituem a Prakti), os sentidos ou Indriyas, a mente ou Antakarana, são distintos do Atma, e Bhagavan é o Supremo Brahman que a tudo observa.

42. Deve-se ver a mesma e única alma ou Atman diante de todas as manifestações materiais, uma vez que tudo o que existe é uma manifestação da Alma Suprema ou Atmani ou Brahman. Neste estágio, deve-se ver todas as entidades vivas sem distinção, como sendo uma realização da Alma Suprema ou Paramatma.

43. Do mesmo modo como fogo manifesta-se de forma diferente segundo a madeira que o origina, sujeito às diferentes condições dos modos da natureza material, o Atman Supremo ou Brahman manifesta-se em diferentes corpos.

44. Deste modo, uma pessoa pode estabelecer-se numa posição auto-realizada, após ter vencido o imenso encanto de Maya, que é em Si mesma tanto a causa como o efeito da manifestação material ou Prakti, e que é de difícil entendimento.



* Caso encontrem alguem erro, por favor comentem que corrijo o mais rápido que puder.

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